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quinta-feira, 2 de maio de 2013

Série Opiniões: PLANO MUNICIPAL DE SAÚDE 2014-2017

Segue publicação de texto sobre a construção do PLANO MUNICIPAL DE SAÚDE e PAS. O BLOG está aberto para receber e publicar outras contribuições assinadas sobre este e outros temas. 

INICIAR CONSTRUÇÃO JUNTO COM A PAS 2014

A programação anual de saúde (PAS) 2014 é parte do Plano Municipal de Saúde 2014-2017, por isso, recomenda-se que a construção do Plano já seja iniciada no primeiro semestre, junto com a construção da PAS 2014. (Ver texto de Lenir Santos publicado neste BLOG)
Se o município fizer a construção preliminar do Plano, utilizando a análise situacional (Mapa de Saúde), o Programa de Governo e a avaliação da execução do Plano 2009-2013, poderá:

     #Utilizar esta primeira versão do Plano para a construção da Programação Anual de Saúde 2014;
     #Debater o PPA de forma que as estruturas dos dois documentos sejam iguais, em termos de DIRETRIZES, OBJETIVOS, PROGRAMAS, AÇÕES e SUBAÇÕES;
    #Debater a primeira versão do Plano com a equipe, o conselho, etc. até a Conferência Municipal de Saúde, onde deverá também ser apresentada e debatida, para posterior aprovação no Conselho Municipal de Saúde.

LEMBRANDO QUE:
     1. Quem aprova o Plano é o Conselho e não a Conferência, embora seja importante debatê-lo na Conferência, para aprimorá-lo e subsidiar as definições do Conselho;
    2. A Programação Anual de Saúde 2014 - PAS, deve ser apresentada e aprovada no Conselho antes do envio da LDO à Câmara (LC141, Art. 36 - Ver Lenir Santos);
      3. A Programação Anual de Saúde deverá ser revisada (sempre submetendo ao Conselho) no início de 2014 e, recomenda-se, acompanhando os Relatórios Quadrimestrais (o relatório avalia a execução e orienta a atualização da PAS para o período seguinte);
       4. O "casamento" entre o PPA e o Plano Municipal é fundamental para que seja possível a prestação de contas das metas do PAS com respectivos recursos executados, pois, se o PPA fizer a previsão orçamentária dos valores do Plano, a LOA será o equivalente orçamentário da PAS. Desta forma, será mais fácil dar conta das exigências do SARGSUS, em termos dos recursos executados;
     5. Recomenda-se que também o Plano Municipal de Saúde tenha uma revisão anual, idealmente no momento de construção da PAS do ano seguinte (até junho), de forma que o Plano não seja um instrumento estático, mas incorpore as mudanças conjunturais e o acumulo de debates entre os atores que constroem a saúde no município.
    
Enfim, é um momento rico para aprendizado e construção de estratégias locais.
Petra Duarte
Sanitarista 
Assessora da DGP/SES
Maio de 2013

quarta-feira, 17 de abril de 2013

HISTÓRIA DO COSEMS: ÚLTIMA PARTE


COSEMS-PE: 25 ANOS
JUBILEU DE PRATA EM 2012


Autor: Paulo Dantas

Além das Assembleias de Secretários, Encontros de Saúde, e ultimamente Congressos, o COSEMS PE nessa trajetória de 25 anos promoveu também diversos Seminários abordando variados temas como: Gerenciamento da Municipalização das Ações de Saúde; Faturamento Hospitalar e Ambulatorial; Município Saudável; Gestão Administrativa; Regionalização da Saúde em Pernambuco. Dezenas de Oficinas com temas relevantes foram realizados no decorrer das Assembleias/Encontros, sempre abordando assuntos de interesse prático para qualificar técnicos e gestores para as ações e serviços de saúde.

Eis o legado do COSEMS-PE ao completar o seu Jubileu de Prata!

Com competência, firmeza e visão estratégica, compreendendo as complexas relações do setor saúde com as demais políticas sociais e macroeconômicas - junto ao CONASEMS - tomou sempre posições firmes em defesa do SUS e de uma Nação soberana, democrática, desenvolvida, ambientalmente equilibrada e socialmente justa.
“Quem sabe faz a hora, não espera acontecer”.
 Essa trajetória vitoriosa é obra de homens e mulheres que ocupando funções nas Diretorias executivas e Vice-presidências Regionais, na Secretaria Executiva, ou participantes ativos das Assembleias/Encontros, enfrentando adversidades e incertezas, conduziram – e outros (as) virão para continuar a caminhada - com autonomia, coerência, unidade, amor, paixão e festa a luta por um ideário, uma missão histórica justa e imprescindível: defender e implantar o SUS para garantir o direito à saúde de qualidade para todos os brasileiros.

Longa vida ao COSEMS PE!

Viva o seu Jubileu de Prata!
Paulo Dantas, junho de 2012.

quinta-feira, 11 de abril de 2013

HISTÓRIA DO COSEMS: PARTE 6


REORGANIZAÇÃO DO SISTEMA ( COM PERSISTENTE SUBFINANCIAMENTO...)
Autor: Paulo Dantas

A Carta de Olinda, lançada na 43ª Assembleia do COSEMS, em 2001, denuncia a política de financiamento do SUS como “marcadamente, orientada pela lógica de Programas Nacionais, de baixo potencial estruturador para o SUS”, com transferência de recursos financeiros submetidos à excessiva normatização “sinalizando para o retorno da lógica da produção” e critica o “esvaziamento da capacidade dos Estados Federativos como formuladores de Política de Saúde”. Nesse documento contundente repudiam o desvirtuamento no uso dos recursos da CPMF para outras finalidades, o irrisório aumento no Piso de Atenção Básica e a ausência da Secretaria Estadual de Saúde no Encontro/Assembleia. Além disso, enunciam resolver pautar na reunião da CIBE-PE a revisão do cronograma de conclusão das fases do PDR, PPI, PDI e discussão dos termos do acordo do MS com SES quanto à implantação do “COMANDO ÚNICO, TETOS FINANCEIROS E SEDE DE MÓDULO GESTÃO PLENA DO SISTEMA”.
Os temas relacionados à estratégia do PSF na atenção básica, município saudável, sistema de auditoria e controle, política de assistência farmacêutica, vigilância sanitária e epidemiológica, PPI e financiamento do SUS continuam no foco dos debates até o ano 2000. No ano seguinte, entra em debate a NOAS e a estratégia de implantação da regionalização da assistência à saúde, como novos desafios à municipalização da saúde e se inicia a discussão sobre pacto na atenção básica.
A nova Diretoria Executiva para o biênio 2003-2005 é composta com Humberto Antunes, o presidente, e mais Roberto Hamilton, Flora Rangel, Alexandre Falbo. No último período desse biênio (2004-2005) assume a presidência Roberto Hamilton.
Nesse período acontece a XI Conferência Nacional de Saúde e o MS elabora o Plano Nacional de Saúde, tendo como ferramenta de ação o Pacto pela Saúde. Este tema passa a ser a pauta principal dos debates nos Encontros/Assembleias do COSEMS PE.
No período de 2005 a 2008, a presidência do Colegiado é assumida por Roberto Hamilton. Conta na diretoria, no primeiro biênio, com Gustavo Couto, Oscar Capistrano, Sueli Merêncio e José Brito. No segundo, participaram João Veiga, Maria das Graças Carvalho, Josineide Barreto e Adelaide Caldas Cabral.
Em todo o período o debate do Pacto pela Saúde assumiu o destaque principal, abordado sob diversas variações temáticas. Pacto de Saúde relacionado com a gestão do trabalho, com financiamento, com consorcio intermunicipal, regionalização, atenção básica, responsabilidade sanitária, unificação de indicadores de saúde, entre outras.
Fato relevante foi à deliberação no 52º Encontro COSEMS, realizado em Garanhuns, em abril 2007, no sentido dos secretários coletarem em abaixo-assinado, nos municípios, apoio à Regulamentação da EC 29; Aprovação do PLC 01/2003; Destinação de 100% da CPMF para a saúde.
A Diretoria Executiva que sucede tem na presidência, mais uma vez, a força da mulher na pessoa de Cristina Sette que inicia o seu mandato em 2009, o renova em 2011 e passa o bastão em 2012 para Ana Claudia Callou Matos que completará o último biênio, em 2013. Participam da direção, alternando atribuições nas mudanças de biênio, Humberto Antunes, Ana Claudia Callou, Suedilson Sandro Maracajá, Saulo Bezerra Xavier, Gessyanne Vale, Lucia Cristina Giesta e Maria Cristina Soares Paulino.
Nesse período é marcante a preocupação com a adesão dos secretários municipais ao Pacto da Saúde e na avaliação das perspectivas do SUS em Pernambuco. Temas de natureza técnica e organizativa do sistema de saúde como construção da rede de urgência e Emergência no estado, modelo de atenção à saúde, instrumentos de planejamento e gestão, de regulação e controle são priorizados.

Longa vida ao COSEMS PE!

Viva o seu Jubileu de Prata!
Paulo Dantas, junho de 2012.

quarta-feira, 10 de abril de 2013

HISTÓRIA DO COSEMS: PARTE 5


O COSEMS NO NOVO SÉCULO
Autor: Paulo Dantas


No período 1997-1998 a temática que predominou teve como centro o modelo de atenção à saúde, especialmente a estratégia do Programa de Saúde da Família na atenção básica. A Carta de Serra Talhada (13/09/1997) tem início demonstrando otimismo “no processo de descentralização, através da NOB 96”, destaca os esforços dos gestores de saúde “no sentido de implementar mudanças radicais nos modelos de intervenção no setor, tais como o Programa de Saúde da Família...” e prioriza a necessidade de ações básicas de saúde voltadas principalmente à criança e à mulher. Na expectativa de incremento financeiro devido à arrecadação da CPMF (o que não aconteceu!), defendia um novo modelo de financiamento do setor saúde a partir de bases epidemiológicas. À época, estava na presidência do COSEMS o Claudio Duarte e tendo como companheiros de direção, para o biênio 1997-1998, José Edson de Souza, José Carlos Maranhão, Cristina Sette e Antônio Vieira Filho. Ocupava, também, a pauta das discussões dos Encontros/Assembleias temas como formulação e operacionalização da Programação Pactuada Integrada (PPI), estruturação de sistema de vigilância epidemiológica municipal e a proposta programática de “Município Saudável”.

A ultrapassagem do umbral do século XX para o século XXI acontece no período dos três mandatos sucessivos de presidência do COSEMS por José Edson. Nesse período, de 1998 a 2003, as diretorias receberam valorosas participações de Cristina Sette, José Carlos Maranhão, Antonio Vieira, Oscar Capistrano, Maria de Fátima Lopes, Wilson Francisco Barros, Carl Roichman, Humberto Antunes, Luis Raimundo Duarte e José Rivanildo. Alguns alternando suas atribuições – inclusive com Cristina Sette, Oscar Capistrano e Maria de Fátima ocupando a presidência em espaços de tempo do último biênio - outros apenas participando de um ou outro tempo das sucessivas gestões.

 Foi um período marcado por importante mudança no cenário da política nacional com a eleição de Lula Presidente da República, em outubro de 2002. E, na área da saúde a provação da EC 29 (2000), edição em 2001, da Norma Operacional de Assistência à Saúde (NOAS).

Longa vida ao COSEMS PE!

Viva o seu Jubileu de Prata!
Paulo Dantas, junho de 2012.

segunda-feira, 8 de abril de 2013

HISTÓRIA DO COSEMS: PARTE 4

JUBILEU DE PRATA DO COSEMS/PE EM 2012
Autor: Paulo Dantas

Ainda no ano de 1995, estando no comando do COSEMS nova Diretoria sob a presidência de Paulo Santana e na sua composição contando com Ana Paula Soter, Eva Maria A. Lima, Wedneide Almeida e Carlos Ramiro, volta a Entidade a denunciar os riscos das reformas de conteúdo neoliberal, e conclama a sociedade na Carta de Garanhuns  (06/05/95) à defesa do SUS e oposição às “alterações no sistema tributário  que esvaziarão o Poder Municipal, comprometendo sua autonomia...”, “ mudanças no capítulo da Ordem Social que comprometam o princípio essencial da universalidade...”, e se posiciona contrário à quebra dos monopólios “sem levar em conta a vocação nacional e as diferenças regionais, ameaçando a Soberania Nacional e nos fragilizando frente ao mercado internacional”.
Nesse mesmo ano, acontece a XXIX Assembleia dos Secretários onde é lançada a Carta de Salgueiro (26/08/1995). Refletindo o amplo debate ocorrido sob os temas Reforma Tributária e criação da CMF (depois, CPMF), assim se posicionou o COSEMS: “ A Reforma Tributária que nós defendemos guarda princípios de fortalecimento dos municípios”... “A Reforma Sanitária e CMF não são apenas lutas dos Secretários Municipais de Saúde e Ministério da Saúde, estas são causas da sociedade civil... haja vista que o SUS é hoje a maior política social brasileira”. E conclama a todos (as) para lutar pela implantação imediata da CMF em caráter provisório exclusivo para o setor saúde, redução de impostos indiretos, progressividade na cobrança dos impostos, IR progressivo com estabelecimento de mais número de faixas, tributação sobre as grandes fortunas, combate a sonegação e municipalização do Imposto Territorial Rural (ITR). Só em outubro de 1996 o Congresso Nacional aprova a CPMF.
Entra em pauta também o debate sobre a NOB 96 e a realização da X Conferência Nacional de Saúde. Tanto na Carta de Moreno (8/12/95) quanto na Carta de Afogados da Ingazeira (16/03/96) se destaca a conclamação aos secretários a importância das Conferências Municipais, Regionais e Estadual, parte integrante da X CNS que tem como tema central “Construindo um modelo de atenção à saúde para a qualidade de vida”. Na Carta de Afogados da Ingazeira, alerta para “que a NOB 96, além de garantir o princípio básico da descentralização, considere as diversidades loco regionais na definição do modelo de gestão o que deverá orientar a definição do papel dos estados e municípios quanto a sua função de gestão e execução dos serviços”.
No biênio 1996-1997, estando na presidência, outra vez uma mulher, Wedneide Almeida, na companhia de Ana Paula e Carlos Ramiro, o Colegiado aprofundou o debate sobre a importância da NOB 96 e as mudanças no processo de municipalização e inclui a temática da assistência farmacêutica municipal na ordem do dia dos debates.

Longa vida ao COSEMS PE!
Viva o seu Jubileu de Prata!
Paulo Dantas, junho de 2012.

quarta-feira, 27 de março de 2013

História do COSEMS: Parte 3


HISTÓRIA DO COSEMS-PE: Parte 3
                                                                                                                      
                                                                                                                                            Autor: Paulo Dantas

Segue um período politicamente conturbado na esfera nacional, início do período de políticas neoliberais direcionadas pelo governo federal gerando muitos obstáculos à construção do SUS, e culmina com o impeachment do presidente Collor. Nessa turbulência, com sérias ameaças ao SUS, o COSEMS realiza resistência ativa em defesa da nova política progressista de saúde.
No seu comando, biênio 1992-1993, outra vez a força da mulher com Eva Maria Lima na presidência de equipe predominante de mulheres, com Reneide Muniz e Cleonice Gomes, e os secretários José Neves e Luis Gonzaga. Nos Encontros Estaduais e Assembleias de Secretários, nesse período, os debates se direcionavam para  temas como financiamento do SUS, responsabilidades dos entes federativos, municipalização com descentralização político-administrativa, controle social, repercussões na saúde do projeto de lei da Seguridade Social e as ações de prevenção e combate a Cólera.
Em 1993, no governo de transição de Itamar Franco, fatos relevantes acontecem com melhora significativa do relacionamento do CONASEMS/COSEMS dos estados com o MS. É o tempo da “ousadia de cumprir e fazer cumprir a lei” e edição da NOB 93 que é intensamente discutida nos Encontros e Assembleias do COSEMS. Com a criação do Programa de Saúde da Família o tema entra na pauta dos debates. A atenção materno-infantil é assunto priorizado. Está na Direção Executiva da entidade João Leite, presidente, acompanhado de Eduardo Gonçalves, João Alexandre, Paulo Cesar e Elzir Moraes.
Com a Diretoria Executiva subsequente sob a presidência de Eduardo Gonçalves com João Alexandre, Paulo Cesar, Elzir Moraes, 1994-1995, entra na pauta das discussões a formação e gestão dos recursos humanos no SUS, licitação de serviços de saúde, sistema de controle e avaliação e estruturação e funcionamento do fundo municipal de saúde.
No cenário nacional é o início dos governos FHC. E o COSEMS-PE, em 17 de fevereiro de 1995, quando da realização da sua XXVII Assembleia de Secretários demonstra séria preocupação com as reformas constitucionais propostas pelo novo governo, e na Carta de Camaragibe enuncia que elas (as reformas) “podem vir a comprometer a viabilidade efetiva de Políticas Sociais, e, consequentemente do setor saúde”. Ao mesmo tempo, conclama a mobilização permanente da sociedade e identifica como relevante para a concretização do SUS: a descentralização com redistribuição de poder e estabelecimento de novas relações entre as três esferas de governo; garantia de financiamento adequado tendo como critério as reais necessidades da população, com repasse regular e automático fundo a fundo; parcerias entre as três esferas de governo para redimensionamento e redistribuição de Recursos Humanos; implantação das Comissões Intergestores Bipartite Regionais e fortalecimento da participação da sociedade nas decisões sobre a política de saúde.

Longa vida ao COSEMS PE!
Viva o seu Jubileu de Prata!
Paulo Dantas, junho de 2012.

terça-feira, 19 de março de 2013

SÉRIE : Novos Secretários-2013

Fabiola Maria Fragoso Botelho -TUPANATINGA


Bom dia sou Fabiola Fragoso secretaria de Tupanatinga município que fica localizado na VI Região de Saúde, 52 km de Arcoverde, estou na gestão desde 2011, sou Enfermeira obstetra. Trabalhei no IMIP, no Hospital Esperança, no Hospital de Inajá, no PSF Bairro Novo Horizonte em Tupanatinga, na coordenação de enfermagem de Inajá, na coordenação de enfermagem de Tupanatinga e na Faculdade de Arcoverde. Ficou muito triste, pois quanto mais fazemos, menos somos reconhecidos.

segunda-feira, 11 de março de 2013

Série: Secretários 2013-2016

ARCOVERDE

ADILSON VALGUEIRO CARVALHO BARROS

BLOG DO COSEMS: Como avalia os desafios desse período que se inicia?

ADILSON VALGUEIRO: Os desafios são imensos. A saúde é uma área em eterna transformação e temos que ter compromisso e responsabilidade com a população. Os avanços do SUS são grandes, mas ainda há muito o que fazer. Este Fórum COSEMS/SES é importante porque é uma forma de aproximar os gestores, debater, trocar experiências e propostas para o alcance dos resultados pretendidos.
CONTATO: adilsonvalgueiro@yahoo.com.br.

Série: Secretários 2013-2016

FREI MIGUELINHO

MANUEL ALEXANDRE DE ARRUDA NETO  

BLOG DO COSEMS: Como você avalia os desafios do período que se inicia?


MANUEL ALEXANDRE: São desafios árduos, mas estamos empenhados em dar continuidade à gestão, nos processos em construção com o estado e ministério, como as redes assistenciais, juntamente com os demais municípios. Frei Miguelinho está inserido e já foi contemplado com o componente do SAMU, na rede de Urgência e Emergência, bem como a Rede Psicossocial também está debate e pretendemos trazer um CAPS para Frei Miguelinho. Na Atenção Básica também já conseguimos trazer o NASF. Enfim, os desafios estão postos para darmos continuidade na gestão e garantirmos melhorias na saúde e na qualidade de vida de nossos munícipes.

Série: Secretários 2013-2016

TACAIMBÓ

MARIA IZALTA LOPES

BLOG DO COSEMS: Qual o maior desafio a ser enfrentado neste próximo período?

MARIA IZALTA: O maior desafio desta gestão que se inicia em Tacaimbó é que é um município pequeno, que só tem atenção básica. Então, todo o atendimento de média e alta complexidade eu tenho que referenciar, o município não tem hospital. Estamos para implantar o SAMU e queremos implantar uma Policlínica, para ofertar uma melhor assistência à população. É uma população de quase 13 mil habitantes, com uma vulnerabilidade grande, mas nós temos muita vontade e queremos ampliar o acesso a serviços, garantindo referência e contra-referência ao pacientes, para melhorar a qualidade de vida desta população que tanto precisa. Queremos inserir Tacaimbó no debate da regionalização e da pactuação de metas regionais, para tentar cumprir estas metas e melhorar a qualidade de vida da população. CONTATO: mariaizalta@bol.com.br.

domingo, 10 de março de 2013

Série: Secretários 2013-2016

GARANHUNS

HARLEY DAVIDSON ROCHA

BLOG DO COSEMS - Quais são os maiores desafios deste próximo período?

HARLEY DAVIDSON - O SUS apresenta grandes avanços, mas também enfrentamos grandes desafios. No início desta gestão, nosso grande desafio é colocar a gestão municipal "nos eixos", e no eixo do desenvolvimento, capitando os recursos humanos necessários para que a condução das políticas de saúde se dê da melhor forma possível com o financiamento que temos. Financiamento este que também é uma das grandes dificuldades que temos para que possamos desenvolver as ações.
Contato: saudegaranhuns.pe.gov.@gmail.com

quarta-feira, 30 de janeiro de 2013

Militantes pelo SUS


O nome de Hermias Veloso reporta à
Assistência Farmacêutica
"A Assistência Farmacêutica é o pilar para o êxito das demais Políticas de Saúde."  

É com esta frase que o militante Hermias Veloso da Silveira Filho gosta de fazer o fechamento de suas propostas de organização da Assistência Farmacêutica.
Conhecido por sua postura séria, coerente e combativa em defesa do SUS, Hermias esteve à frente da Assistência Farmacêutica do Recife por quase 12 anos. Coordenou a criação do sistema informatizado que foi adotado pelo Ministério da Saúde com o nome de Hórus; coordenou a formulação e implantação da Farmácia da Família; modernizou a REMUME;  e organizou a rede de dispensação. 
Hermias foi professor de Química para secundaristas e ainda ministra palestras-aula no Curso de Ciências Farmacêuticas  da UFPE e na pós-graduação do CPqAM/FIOCRUZ, quando convidado.
Trabalhou no NITRAFARMA/SP, no LAFEPE, no HEMOPE.
Foi Conselheiro Estadual de Saúde no período de 1993 a 2001, representando o Sindicato dos Farmacêuticos. Também foi Presidente do Sindicato dos Farmacêuticos.
Hoje, atua como farmacêutico concursado e presta consultorias para municípios interessados na estruturação da Assistência Farmacêutica.
DEFENDE O SUS UNIVERSAL, COM ATENÇÃO INTEGRAL E EQUÂNIME. Sua trajetória de vida está vinculada à defesa da justiça na saúde e do acesso à saúde como veículo de justiça social. Hermias É um militante pelo SUS.

terça-feira, 4 de dezembro de 2012

Série Reflexões 4

PARA AQUELES QUE CHEGAM, UMA MARCA BRILHANTE DEIXADA NA HISTÓRIA DA SAÚDE PÚBLICA 

Para Luci Praciano (in memoriam) 

Djalma Agripino Melo Filho

No último sábado (1º de dezembro de 2012), perdemos um dos mais ilustres patrimônios do nosso Movimento Sanitário: Luci Praciano Lima. Lamento também afirmar que a perda ainda é maior, pois o estoque com as qualidade deste BEM é mínimo e pouco renovável.

Conheci Luci, em 1985, lutando pelas Liberdades Democráticas, pela Constituinte e criação do Sistema Único de Saúde (SUS) e engajada na eleição de Jarbas Vasconcelos para Prefeito do Recife, a primeira de forma direta após 1964. Depois, trabalhei com ela na Secretaria de Saúde do Recife, na Secretaria de Saúde de Pernambuco, no Núcleo de Saúde Coletiva da Fundação Oswaldo Cruz e, finalmente, na Universidade Federal de Pernambuco.

Dizer que epidemiologista mantém convivência pacífica com gestor/planejador parece anedota. Essas aves geralmente não voam junto, uma vive se queixando da outra. Mas entre mim e Luci foi diferente. A forma de pensar e agir em saúde pública de Luci ampliava os horizontes cartesianos da minha pobre epidemiologia. Luci transformava a tabela dois por dois numa tabela n por n, agregando cenários, atores, tomada de decisões, enfim o mundo real com suas virtudes e sortilégios. E isso me fascinava. Como aprendi com você, minha amiga!

O campo de ação de Luci foi a política de saúde e seus desdobramentos na gestão / planejamento. Defensora intransigente do BEM PÚBLICO, da excelência técnica e do agir comunicativo na solução de conflitos, quem de nós não via em Luci uma mediadora de conflitos em gestões de saúde? 

Para a geração que começa, ou já está mergulhada nas normalizações do SUS, lembro que, em 1986, quando integrava a equipe do Secretário Paulo Dantas, portanto dois anos ANTES da criação do SUS (Constituição 1988), ela esboçou o primeiro Distrito Sanitário do Recife, o de Casa Amarela, configurando, com o princípio da integralidade, o que hoje se chama de rede de atenção à saúde. PIONEIRA, somente depois de 10 anos, a distritalização foi efetivada em leis e portarias. 

Vivenciou, na Secretaria de Saúde de Pernambuco, em meados dos anos 90, o maior processo de descentralização (municipalização) de serviços de saúde; participou do Núcleo de Saúde Coletiva da FIOCRUZ como professora de muitos sanitaristas que hoje ocupam lugar de destaque no SUS; como gestora do Mestrado em Saúde Coletiva da UFPE, além de orientar dissertações, colaborou para o seu fortalecimento e projeção externa do programa.

Na vida cotidiana, se sobressaía em Luci um elenco de virtudes: generosidade, rigor científico, honestidade intelectual, prudência, polidez, cordialidade, serenidade, ternura, firmeza nos momentos certos.

É por todas essas razões que lamentamos e choramos a perda de uma pessoa que só fez HONRAR a tradição das lutas do povo pernambucano, especialmente do Movimento Sanitário, criado na década de 1970.
FONTE:  Facebook.

quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Série Reflexões 3


EDUCAÇÃO EM SAÚDE (Parte 3 - Final):
ALGUMAS REFLEXÕES PARA ESTIMULAR O DIÁLOGO SEMPRE NECESSÁRIO.
Domício Aurélio de Sá[1]
Atualmente conta-se nos dedos os verdadeiros defensores do SUS público, universal e de qualidade. Talvez porque a “elite” use planos de saúde e assim como aconteceu com a educação, sobretudo no ensino fundamental e médio, utilizam o subsistema privado, deduzindo parte na declaração do imposto de renda (isenção fiscal). E os procedimentos muito caros e complexos, não cobertos pelos planos? Ah, para isso os “amigos do rei” conseguem acesso não regulado pela equidade, senão se apela à justiça (judicialização) para garantir o “Direito de Todos e Dever do Estado”. 
Na área de Educação em Saúde também tivemos avanços importantes com uma definição de uma Política com transferências de recursos. "Nunca na História desse País" tivemos tanto dinheiro (Agora temos um fato novo: financeiro sem orçamentário). Aliás, em muitos estados, esse é o problema principal da não aplicação dos recursos (e não é de ordem técnica, diga-se de passagem!).
Portanto, se o diagnóstico estiver correto (considerando apenas o fato de que não foi gasto o recurso) estão errando no remédio ou, no mínimo, na dose. E o paciente pode não resistir aos efeitos colaterais! Por isso vamos lutar contra essas decisões (re)centralizadoras e verticais. Precisamos, responsavelmente, investir esses recursos (de fato é um absurdo dinheiro de 2008 na conta bancária e as demandas gritando). Essa crítica vem sendo feita o tempo todo, em diversos espaços, embora com muita dificuldade. Atualmente as CIES ainda não representam o quadrilátero como deveria e precisam ser fortalecidas, inclusive com Educação Permanente para os seus membros. Os representantes da gestão são maioria, mas quase sempre temem em atuar de forma mais crítica e politizada, pois seus vínculos (cargos) muitas vezes "não permitem" (são muitas vezes tutelados). Os sindicatos dos trabalhadores desconhecem o espaço e a proposta da PNEPS ou percebem que esses espaços estão desprovidos de poder e não prioriza a participação. O segmento dos usuários do sistema, que no controle social é a parte mais numerosa e também a mais frágil, pois os movimentos sociais e os próprios conselhos de saúde também estão com muitas dificuldades de articulação. Por isso eles devem deixar de existir? Ou é papel do Estado promover ações para que esses possam cumprir sua missão?
É fato que nossa jovem democracia, no geral, ainda não tem muita tradição participativa, até por conta das deficiências do nosso sistema educacional, que reproduz a “ordem estabelecida”. Muitas pessoas, além de temerem perseguições, perdas de “privilégios” ou possibilidades de favores se deixam cooptarem ou se calam diante de ameaças ou de direitos negados.
Nessa pauta específica da educação em saúde, entendo que o segmento das instituições de ensino deveria ter um maior protagonismo no processo de integração ensino e serviço (se temos conhecimento, vocalização, poder de formar opinião, vínculos seguros, "independência" da gestão...) poderíamos participar mais ativamente desse processo, afinal, gerar conhecimento faz parte da nossa missão finalística. Mas, muitos acham que é perda de tempo participar disso (afinal somos da elite. “Deixa isso pro povão”!). Se o ciclo é esse, não há jeito! Deixa a gestões livres... (sem controle da sociedade). Aqui ainda estamos resistindo e acreditando na força da militância em defesa do SUS (espero não ser uma andorinha só, pois o verão aqui só está bom para quem pega um bronze na beira da praia). Como o brasileiro não desiste nunca, por enquanto, estamos resistindo, mas precisamos ampliar o debate com maior participação social.
Em suma, fica evidente que os mentores de proposta dessa natureza partem de um diagnóstico de que a burocratização é devido ao processo de descentralização / regionalização (que na verdade ainda não aconteceu de fato). Ou seja, na visão do MS (e talvez de outros atores) a centralização favorece a aplicação dos recursos e gastar o dinheiro é o que importa nesse momento! De fato, fica muito claro, que se pretende anular não só os Planos de Ações Regionais de Educação Permanente em Saúde – PAREPS e as CIES, mas também as próprias Comissões Intergestores Regionais - CIR. Uma vez que explicita que os novos planos de trabalho não precisam de aprovação nessas instâncias: “ficam dispensados de aprovação prévia na CIR”, como se esses espaços fossem os únicos responsáveis pela não aplicação dos recursos da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde - PNEPS e do Programa de Formação de Profissionais de Nível Médio para a Saúde – PROFAPS.
Em Pernambuco, por exemplo, isso não é verdade! Ao contrário, pois temos resistido bravamente por muito tempo e só agora que apareceu uma luz: a tão solicitada descentralização dos recursos da PNEPS para as regiões de saúde. Por isso, devemos ter o cuidado para não "jogar fora a água suja junto com a criança".
Precisamos gastar, mas gastar bem e de acordo com nossos planejamentos e pactuações possíveis, num contínuo processo que também é pedagógico (Educação Permanente no SUS-Escola)! Ampliar as possibilidades de gastos poderá, inclusive, significar apenas a substituição de fontes de recursos de outras áreas, sem avanços para a educação em saúde. Ou será que é isso mesmo que se pretende com essa proposta?
Não acreditamos que a centralização das decisões e recursos seja o melhor caminho. Pelo contrário, historicamente esse tem sido um dos principais problemas do SUS! “Enquanto estamos inconformados, vamos procurando saídas. A acomodação é o pior caminho”. Por isso, precisamos ampliar esse debate, estimulando o diálogo que é sempre necessário para continuarmos avançando. Somos ou não um Estado Democrático de Direitos e uma República Federativa? VIVA O SUS!!!


[1] Sanitarista Pesquisador da Fiocruz-PE / Membro da CIES - PE (I Região de Saúde – Recife e CIES estadual).
(Texto lido pelo autor na Reunião da CIES-PE, em 22 de novembro de 2012).

terça-feira, 27 de novembro de 2012

Série Reflexões 2


EDUCAÇÃO EM SAÚDE (Parte 2):
ALGUMAS REFLEXÕES PARA ESTIMULAR O DIÁLOGO SEMPRE NECESSÁRIO.
Domício Aurélio de Sá[1]
O SUS, mesmo subfinanciado, avançou muito com o protagonismo das gestões municipais. Na prática o SUS começou a acontecer, a partir de 1998, com as transferências federais de forma direta, sobretudo para os municípios. O Piso da Atenção Básica – PAB permitiu a implementação de sistemas locais de atenção à saúde, sobretudo com a expansão da Estratégia de Saúde da Família. Os avanços não foram maiores, justamente, porque não se conseguiu dá continuidade a esse processo numa lógica de organização de redes regionais de atenção especializada, na qual os estados têm um papel fundamental de coordenação. Hoje, a atenção especializada é o grande gargalo do sistema, que compromete, inclusive, a resolutividade da atenção primária e acaba estourando nas emergências hospitalares. Entretanto, essa transferência de responsabilidades para os municípios não foi acompanhada de financiamentos adequados dos estados e da União, gerando instabilidades, principalmente nos municípios de pequeno porte (70% dos municípios possuem menos de 20 mil habitantes).
Agora, essa situação se agrava, sobretudo por conta da redução do Imposto sobre Produtos Industrializados – IPI, um dos incentivos Federal, sobretudo para as indústrias automobilísticas suportarem a crise do capitalismo globalizado. Como o IPI compõe a base da receita do Fundo de Participação dos Municípios – FPM as prefeituras estão em situação bastante complicada. E essa crise rebate diretamente na Educação e na Saúde, reforçando que precisamos de formas mais sustentáveis de financiamento. Porque não conseguimos fazer um debate sério sobre uma Reforma Tributária? Porque o Governo Federal precisa ser o “dono” do dinheiro da Nação? Será que não poderíamos ter um sistema de arrecadação menos centralizado na União? Se as transferências diretas promoveram avanços porque não diminuímos os financiamentos tutelados do MS? Acredito que já temos maturidade para se avançar com políticas de Estado mais sustentáveis, diminuindo as ações pontuais de programas de governos.
Novamente, voltemos à questão mais específica em tela, partindo do que foi escrito na minuta da SGTES. Ela é de tamanha gravidade, pois inviabilizaria qualquer possibilidade de participação da sociedade nessa área, ferindo inclusive a LEI 8080/90, o Decreto 7508/11, que trata da regulamentação das regiões de saúde e redes de atenção e a Portaria GM/MS 1996/07, que institui a Política Nacional de Educação Permanente em Saúde – PNEPS. Portanto, a discussão política, como sempre, precede e se faz necessária. Concentrar todo o poder de planejamento/decisão na instância das Secretarias Estaduais de Saúde - SES e Comissões Intergestores Bipartite - CIB é um grande retrocesso que é muito perigoso, mesmo de forma temporária e bem “intencionada” (a História não pode ser esquecida!). Isso praticamente acaba com os processos de regionalização, que o próprio MS, recentemente, tem incentivado de forma mais intensa e que os estados com muita dificuldade estão procurando avançar, com a criação das Regiões de Saúde, Comissões Intergestores Regionais - CIR e Comissões de Integração Ensino e Serviço - CIES, mas com funcionamento ainda muito incipiente e fragilizado (Gestão sem poder, PDR sem PDI[2], redes sem serviços, serviços sem profissionais, profissionais sem condições de trabalho, trabalho sem vínculo, prestador sem regulação, discurso sem prática, usuário sem atenção...). Dessa forma para que investir em Educação em Saúde? Educação Permanente? Não há brecha na agenda.
Nesses termos, educação em saúde nunca será prioridade porque não é estratégica para esse modelo vigente. Ela fortalece o trabalhador na busca de reversão desse ciclo. Assim, ela é contra hegemônica, como todo processo educativo que visa à emancipação cidadã e a transformação da sociedade (A tal utopia revolucionária, hoje fora de moda). Como nosso SUS é ousado e pretencioso! Mas essa é uma questão mais ampla e permanente para qualquer cidadão (Ser crítico e não apenas consumidor). Não negamos os avanços, mas temos muito para avançar e entendemos que é uma situação sempre processual e, por isso, precisamos resistir a qualquer forma de retrocesso, mesmo os de aparências mais sutis (“o Diabo mora nos detalhes!”).
A minuta parte de um “diagnóstico” muito simplista (sem analisar as causas adequadamente). Ou seja, o problema de não gastar o dinheiro foi apenas a existência dessas instâncias de participação mais descentralizadas (como se as gestões centrais – MS e SES fossem as vítimas desse processo). E a "solução" proposta para gastar o dinheiro (isso não tenho dúvida que dessa forma aconteceria) é “liberar” as SES da necessidade de pactuação/negociação com a sociedade organizada e representada nos poucos espaços existentes. Na PNEPS, as CIES bem ou mal representam o tão desejado quadrilátero (gestão, trabalhadores, usuários e instituições de ensino), permitindo assim um maior envolvimento da sociedade na elaboração de planejamentos regionais mais equânimes. Entretanto, de modo geral, as gestões estaduais não têm demonstrado interesse nem empenho em participar das CIES. Ora, se cada estado poderá “flexibilizar” as formas “duras” que o próprio MS cria, não seria ainda mais necessária à participação das CIES no planejamento? Queremos que todos os níveis do sistema cumpram de fato seus papeis, como determina a legislação.
De certo modo essa medida, parece uma premiação para as gestões estaduais que não demonstraram interesse (decisão política) em investir em gestão do trabalho e na educação em saúde e muito menos na PNEPS, não constando muitas vezes, nem mesmo, nos instrumentos de planejamento (PPA, LDO e LOA)[3]. Ao contrário, há alguns anos que a discussão, principalmente por parte dos gestores, é centrada na necessidade de “terceirização” da saúde, movido principalmente pela dificuldade de contratar e gerenciar, sobretudo a categoria médica. E, contra esse processo, os trabalhadores, por meio de suas representações (sindicatos, conselhos e associações diversas), também têm centrado toda a força reativa nessa pauta: a luta contra a “privatização / terceirização” do SUS. Mas, essa luta tem sido inglória e muitas vezes despolitizada, justamente pelos processos frágeis e fragmentados de educação e participação social do nosso País. Um ciclo vicioso! Ah, cadê a classe intelectual e “formadora de opinião”? De fato, sendo a academia mais “isenta” dos efeitos das gestões (políticas de governo) poderia analisar mais criticamente essas situações para além do sistema de produtividade da CAPES/CNPq. Uma minoria se envolve de fato com questões de ordem político-social, mesmo sentindo na própria pele as consequências. Ideologia? Política? Participação? Movimento Sanitário? Parece que estamos ainda mais movidos pelo tecnicismo e gerencialismo.
(Continua...)



[1] Sanitarista Pesquisador da Fiocruz-PE / Membro da CIES - PE (I Região de Saúde – Recife e CIES estadual).
(Texto lido pelo autor na Reunião da CIES-PE, em 22 de novembro de 2012).
[2] PDR – Plano Diretor de Regionalização; PDI – Plano Diretor de Investimentos.
[3] PPA – Plano Plurianual; LDO – Lei de Diretrizes Orçamentárias; LOA – Lei Orçamentária Anual.

Série Reflexões 1


EDUCAÇÃO EM SAÚDE (Parte 1):
ALGUMAS REFLEXÕES PARA ESTIMULAR O DIÁLOGO SEMPRE NECESSÁRIO.
Domício Aurélio de Sá[1]
Essa reflexão foi motivada por conta de uma minuta de Portaria do Ministério da Saúde / Secretaria de Gestão do Trabalho e da Educação em Saúde - MS/SGTES, felizmente ainda não publicada. Essa proposta “autoriza o remanejamento de recursos financeiros repassados para Estados, Distrito Federal e Municípios para aplicação em ações no âmbito da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde - PNEPS e do Programa de Formação de Profissionais de Nível Médio para a Saúde - PROFAPS”. Ela me deixou bastante preocupado com os rumos da política específica e também com o próprio Sistema Único de Saúde - SUS. Parece que poucas pessoas tiveram acesso a essa minuta. Isso aumentou a minha preocupação e comecei a divulgá-la, pois se era para debatê-la, antes da sua publicação, deveria partir de um “diagnóstico” mais participativo, que só foi proposto posteriormente (A SGTES com a presença de representantes dos estados fez uma oficina nos dias 7, 8 e 9/11, em Brasília). Mas como ela já estava pronta desde outubro ou até a mais tempo (como consta no próprio texto), então resolvi, deliberadamente, fazer o papel de cidadão militante, buscando estimular o debate (atualmente muito fora de moda). Como tenho ouvido isso, não esporadicamente, pensei: serei muito criticado (ou já estou sendo, naturalmente) por querer politizar / ideologizar a partir de uma questão tão banal, técnica, administrativa...(será?). Como o MS publica tantas portarias todo dia, muitas vezes contraditórias entre si, poderia ser apenas mais uma. Mesmo assim, por entender que estamos vivendo um momento muito delicado de ameaças aos princípios da Reforma Sanitária, decidi continuar.
Em linhas gerais, concordo que há uma necessidade de certa "flexibilização / desburocratização", visando à eficiência dos recursos públicos e à efetividade das ações e serviços. Inclusive gostaria de saber e debater também sobre outros recursos de outras fontes que não são aplicados ou são gastos indevidamente (RENAST, emendas parlamentares, convênios em geral...). Estamos avançando na “transparência” das informações, mesmo de forma lenta.
Mas, voltando à questão central, poderia começar discutindo o mérito da proposta da minuta. Por exemplo: será que a realização de reformas de unidades de saúde significa aplicação em ações no âmbito da Política Nacional de Educação Permanente em Saúde - PNEPS e do Programa de Formação de Profissionais de Nível Médio para a Saúde – PROFAPS? Podemos considerar que seria um bom debate para atores no âmbito dos estados, regiões e municípios. Entretanto, o Artigo 6º dessa minuta chega ao absurdo de dispensar a participação, quando descreve: "ficam dispensados de participação das Comissões de Integração Ensino e Serviço - CIES". Isso é uma provocação! Porque o MS precisa definir tudo? Não acreditam na capacidade dos outros entes federados? Talvez estejam precisando correr atrás do prejuízo, por pressões de órgãos de controle externo.
Embora tenha renovado as esperanças com a notícia de que o Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde - CONASEMS não concorda com o teor dessa minuta, podendo a mesma não ser aprovada na Comissão Intergestores Tripartite - CIT. Espero que não seja mesmo! Mas, pelo sim e pelo não, diante de tantas “surpresinhas” que vêm ocorrendo no SUS, mesmo se aproximando do período natalino, melhor não acreditar em Papai Noel e pôr as nossas “barbas de molho”. Esse fato merece ser discutido com a profundidade necessária para que os dirigentes percebam que estamos atentos, sendo, portanto, uma boa oportunidade para refletirmos sobre os rumos do nosso SUS. 
(Continua...)



[1] Sanitarista Pesquisador da Fiocruz-PE / Membro da CIES - PE (I Região de Saúde – Recife e CIES estadual).
(Texto lido pelo autor na Reunião da CIES-PE, em 22 de novembro de 2012).

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Série LC 141-4

CRITÉRIOS DE RATEIO DOS RECURSOS DA UNIÃO


         Um dos pontos mais discutidos da LC 141 é a NÃO definição de um percentual  de recursos da União a serem aplicados na saúde. Enquanto os mínimos estaduais e municipais permaneceram em 12% e 15%, cabe à União aplicar em saúde o valor do ano anterior (ano base 1999) acrescido da variação nominal do PIB. Regra que pretendemos mudar com o Projeto de Lei de Iniciativa Popular - PLIP que propõe a aplicação, pela União, de 10% das suas receitas correntes brutas.

          Contudo, a especialista em Direito Sanitário Lenir Santos, em seu livro "SUS e a Lei Complementar 141 Comentada", chama atenção para outros pontos relevantes da Lei Complementar.

          Um deles é a questão dos critérios de rateio dos recurso a serem repassados pela União aos estados e municípios:

           Lenir Santos ressalta que o rateio é a essencia do federalismo cooperativo, que é constitucioamente obrigatório (a cooperação entre os entes federados) no Sistema Único de Saúde. Os artigos 17 e 18 (abaixo) da LC 141 definem os critérios de rateio e forma de repasse. Quanto a esta última, a forma de repasse, "será a transferência direta fundo a fundo, regular e automática, dispensada a celebração de convênio ou outros instrumentos congêneres".

          O rateio de recursos terá sua metodologia pactuada em CIT e aprovada pelo Conselho Nacional de Saúde. Esta metodologia será pautada pelos critérios de rateio estabelecidos na Lei 8080 e não revogados pela LC 141 e pelos critérios estabelecidos pela LC 141, e que a autora agregou em 14 critérios (10 se excluídas as repetições), que transcrevemos abaixo:

"1. Necessidade de Saúde da População (LC 141);
2. Dimensão epidemiológica (LC 141 e Lei 8080);
3. Dimensão Demográfica (LC 141 e Lei 8080);
4. Dimensão Socioeconômica (LC 141);
5. Dimensão espacial (geográfica) (LC 141);
6. Oferta de ações e serviços de saúde (LC 141 e Lei 8080);
7. Perfil demográfico da Região (LC 141e Lei 8080);
8. Perfil epidemiológico da população a ser coberta (LC 141 e Lei 8080);
9. Características quantitativas e qualitativas da rede de saúde na área (Lei 8080);
10. Desempenho técnico, econômico e financeiro no período anterior (Lei 8080);
11. Níveis de participação do setor saúde nos orçamentos estaduais e municipais (este critério hoje são os mínimos da EC 29 e da LC 141) (Lei 8080);
12. Previsão do plano quinquenal de investimentos da  rede (plano plurianual, em razão de alterações ocorridas) (Lei 8080);
13. Ressarcimento do atendimento a serviçoes prestados para outras esferas de governo (que deve estar previsto no COAP, na composição das referências de serviços. (Lei 8080);
14. Critérios demográficos diferenciados para Estados e Municípios sujeitos a notório processo de migração (Lei 8080)" (Santos, 2012 - SUS e a Lei Complementar 141 Comentada, p99)

Os dois últimos ítens, 13 e 14, deverão estar previstos no COAP.

Parágrafos 17 e 18 da LC 141:
Art. 17. O rateio dos recursos da União vinculados a ações e serviços públicos de saúde
e repassados na forma do
caput dos arts.18 e 22 aos Estados, ao Distrito Federal e aos
Municípios observará as necessidades de saúde da população, as dimensões
epidemiológica, demográfica, socioeconômica, espacial e de capacidade de oferta de
ações e de serviços de saúde e, ainda, o disposto no art. 35 da Lei no 8.080, de 19 de
setembro de 1990, de forma a atender os objetivos do inciso II do § 3o do art. 198 da
Constituição Federal.
§ 1o O Ministério da Saúde definirá e publicará, anualmente, utilizando metodologia
pactuada na comissão intergestores tripartite e aprovada pelo Conselho Nacional de
Saúde, os montantes a serem transferidos a cada Estado, ao Distrito Federal e a cada
Município para custeio das ações e serviços públicos de saúde.
§ 2o Os recursos destinados a investimentos terão sua programação realizada
anualmente e, em sua alocação, serão considerados prioritariamente critérios que visem
a reduzir as desigualdades na oferta de ações e serviços públicos de saúde e garantir a
integralidade da atenção à saúde.
§ 3o O Poder Executivo, na forma estabelecida no inciso I do
caput do art. 9o da Lei no
8.080, de 19 de setembro de 1990, manterá os Conselhos de Saúde e os Tribunais de
Contas de cada ente da Federação informados sobre o montante de recursos previsto
para transferência da União para Estados, Distrito Federal e Municípios com base no
Plano Nacional de Saúde, no termo de compromisso de gestão firmado entre a União,
Estados e Municípios.
Art. 18. Os recursos do Fundo Nacional de Saúde, destinados a despesas com as ações e
serviços públicos de saúde, de custeio e capital, a serem executados pelos Estados, pelo
Distrito Federal ou pelos Municípios serão transferidos diretamente aos respectivos
fundos de saúde, de forma regular e automática, dispensada a celebração de convênio ou
outros instrumentos jurídicos.
Parágrafo único. Em situações específicas, os recursos federais poderão ser transferidos
aos Fundos de Saúde por meio de transferência voluntária realizada entre a União e os
demais entes da Federação, adotados quaisquer dos meios formais previstos no inciso
VI do art. 71 da Constituição Federal, observadas as normas de financiamento.

segunda-feira, 10 de setembro de 2012

Série LC 141 - 3

NOTAS SOBRE A LC 141

A jurista Lenir Santos publicou, pela Saberes Editora, o livro "SUS e a Lei Complementar 141 Comentada", com importantes esclarecimentos sobre a LC 141. Reproduzimos um trecho sobre a aplicação do mínimo constitucional (Artigo 24 da LC 141)

  • "Para efeito de cálculo dos recursos mínimos referidos na LC 141, devem ser consideradas (art.24): as despesas liquidadas e pagas no exercício e as despesas empenhadas e não liquidadas inscritas em restos a pagar até o limite das disponibilidades de caixa ao final do exercício, consolidadas no fundo de saúde".  (Pg 124 do livro)

O grifo é nosso, pois é a novidade do artigo, que ainda, em seus parágrafos 1o e 2o, estabelece: se houver cancelamento ou prescrição dos já citados restos a pagar contabilizados para o cumprimento do mínimo constitucional, os valores deverão ser aplicados em ações e serviços de saúde até o final do exercício seguinte, sem prejuízo do percentual mínimo a ser aplicado nesse exercício.
A autora ressalta, contudo, que esta possibilidade de correção no ano posterior não altera:
1. A obrigatoriedade de apuração e correção quadrimestral da aplicação do percentual mínimo (art.23);e
2. As consequências e punições previstas ao não cumprimento do mínimo constitucional.